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Pequeno Negócio, grande opção |
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Fri/Feb/2010 |
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Empreendimentos de até dez funcionários, como a Estilo Propaganda, são os que empregavam 54,4% da população ocupada na iniciativa privada brasileira, que soma 70,6 milhões de pessoas.Se ainda restavam dúvidas sobre a importância das pequenas empresas na geração de emprego e renda no Brasil, o estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) acaba com elas. Segundo o levantamento, em 2008 o Brasil registrava a presença de 92,4 milhões de ocupados. Destes, 70,6 milhões estavam na iniciativa privada (76,4% do total nacional), dos quais 38,4 milhões pertenciam a empreendimentos com até dez ocupações, equivalendo a 54,4% dos postos de trabalho e 57,2% do total de massa de rendimento. Segundo Márcio Pochmann, presidente do Ipea, desde a década de 1990 tem sido crescente a participação das pequenas empresas na geração de ocupações. Isso se explica, de um lado, pelo baixo dinamismo econômico do País, que cresceu, em média, 2,6% ao ano no período de 1989 a 2008 enquanto o emprego cresceu apenas 2,4%, tirando milhares de trabalhadores do mercado. De outro, as grandes empresas passaram por processos de reestruturação produtiva com inovação, reengenharia e terceirização. "Os pequenos negócios funcionam como uma espécie de de colchão para trabalhadores e executivos que foram expulsos do mercado de trabalho por conta da recessão ou baixo crescimento econômico. Ter um negócio próprio ou ser empregado de uma pequena empresa acaba sendo uma estratégia de sobrevivência", afirma Pochmann. Rendimentos – De acordo com o presidente do Ipea, o crescimento das ocupações nos pequenos empreendimentos não significou aumento dos rendimentos. Ao contrário: em 1989 a remuneração média desse trabalhador era de R$ 1.153,00 e em 2008, caiu para R$ 951,54. "A queda na remuneração é um reflexo da perda da importância da participação do emprego remunerado no PIB nos últimos anos", afirma. Segundo o estudo, em 1988, a renda do trabalho correspondia a 46% do Produto Interno Bruto; em 2008, caiu para 41% do PIB. Quanto aos setores que mais empregam, o comércio tem papel de destaque. Em 2008, junto com alojamento e alimentação, a atividade concentrava o maior número de empregados da iniciativa privada: 40,2% do total dos postos de trabalho. Próximos anos – A se manter a mesma taxa de expansão média anual da ocupação observada nas duas últimas décadas, o Brasil deverá gerar até 2020, 11 milhões de novos postos de trabalho apenas nos pequenos negócios. Pochmann destaca que apesar dessa crescente participação na economia, existem poucas políticas públicas específicas. Como avanços, ele cita a implementação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, a reorientação às compras governamentais, além da criação do Microempreendedor Individual (Mei). "Mas essas políticas ainda são insuficientes para atender a demanda desses pequenos empresários. É preciso criar outras opções, como um banco público de fomento, nos moldes do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), voltado para pequenos", exemplifica. Na Estilo, funcionário só com carteira assinada "Quando iniciei o negócio, contratar sem carteira assinada era quase impossível", disse Hermílio Dias da Costa Neto, Estilo Propaganda.Hermílio Dias da Costa Neto é um publicitário que deixou de lado a segurança de um cargo executivo na iniciativa privada para abrir o próprio negócio. Há 17 anos está no comando da Estilo Propaganda, empresa de comunicação integrada que emprega dez pessoas, além dele e uma sócia. Neto, assim como seus colaboradores, faz parte dos mais de 38 milhões de pessoas absorvidas pelas pequenas empresas. O publicitário integra o grupo que oferece os direitos que a legislação garante: os funcionários são contratados em regime de CLT. Uma exceção, pois conforme o estudo "Atualidade e perspectiva das ocupações nos pequenos empreendimentos no Brasil", divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), para cada dez postos de trabalho gerados pelas pequenas empresas, apenas quatro são protegidos pela legislação trabalhista vigente. "Fugi da armadilha da terceirização como garantia futura. Quando iniciei o negócio, contratar sem carteira assinada era quase impossível. Além disso, percebi que era uma forma de proteger a empresa contra ações trabalhistas e de dar garantias aos funcionários e, assim, conseguir atrair e manter bons profissionais", diz. |
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